Meu amigo, meu cavalheiro, o rapaz de nome suntuoso Caio Suzart Argolo, com seus cachos, com sua inquietude diante da mesmice, com seu vocabulário rebuscado, me escreveu uma crônica...
Crônica pra uma certa donzela
Nessa época de inclusão digital a singela garota também quis conquistar seu espaço. Por influência de suas não menos encantadoras amigas criou também seu fotoplusglogspace, mais um desses instrumentos que servem como fúteis medidores de popularidade.
Com uma escrita recheada de polissíndetos, hipérbatos e neologismos se achava a última bolacha do pacote, ao menos não pecava no vocabulário. Este último fato poderia atribuir-se às constantes leituras de best-sellers, cite-se entre esses as sagas memoráveis de meninos magos ou então aventuras de patricinhas que se atormentavam com suas vidas atribuladas repletas de questões existenciais como escolhas de cores de esmalte e modelos de vestido para seus bailes.
O número de visitantes não parava de crescer, incontáveis eram os comentários em fotos, daquelas que enchem os olhos. O mesmo não poderia se falar da qualidade dos textos, embora estivesse também repleto de elogios de no máximo 5 palavras, que poderiam indicar o quanto se havia lido de cada um, nenhuma sugestão ou opinião dos internautas. Isso não intrigava a menina, como qualquer outra de seu grupo, nesse universo digital, satisfazia-se com seus incríveis expoentes números.
Incauto navegante certo dia chega no endereço da mais popular garota de sua turma, ele, como leitor de obras de memoráveis romancistas como Victor Hugo, Edgar Allan Poe, Leon Tolstoi, Machado de Assis e similares, gostaria de saber o que se passava na mente de seu amor platônico, seu e de todos outros colegas de sala. Decepção maior não poderia haver. Um arremedo de palavras imersas num mar cor de rosa, em corações flores em total desordem.
Tal navegante não soube o que fazer diante de tamanha desilusão, qual seria o bálsamo pra tão profunda amargura? Não se sabe como, por meio de que benevolente influência, foi parar num certo blog, de uma certa donzela, que escrevia certas poesias, com certa harmonia e expressão, de modo tão arrebatador que revitalizaram o interesse literário virtual do rapaz.
É uma pena que não exista esse jovem, mas uma dádiva existir tal donzela, dotada de tamanho talento, que, espero eu, continue a ser lapidado, pois seu bálsamo funciona também em casos reais.